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Uma tradição de modernidade
Antonio de Paiva Moura
Por que ?
A presente obra foi motivada pelo empenho de um
levantamento descritivo e analítico do patrimônio artístico modernista
acumulado na cidade de Cataguases, desde as primeiras décadas do século
XX. Com aliança de diversos setores da iniciativa privada e serviços
públicos foi contratada uma equipe rica em valores intelectual, técnico e
científico para a realização de tombamento do extraordinário acervo. A
qualidade do trabalho final da equipe levou as instituições envolvidas no
projeto à iniciativa de edição de um catálogo em formato tablóide com 34
páginas ilustradas intitulado Cataguases: um olhar sobre a
modernidade. Por mais explícita que seja a evidência das artes
modernas em Cataguases e por mais que se tenha gasto tinta com esse óbvio,
ainda temos que responder a uma velha indagação: Por que Cataguases
conseguiu tornar-se evidente no movimento modernista brasileiro com a
projeção nacional através do "Grupo Verde", em 1927. Por que essa semente
nasceu e floresceu com tanto vigor em todos os gêneros artísticos, nos
quarenta anos seguintes a 1927 ? Para começo de polêmica, já que não
podemos descartá-la, devemos procurar raízes e sementes da mentalidade
modernista de Cataguases na forma intelectual e ideológica dos mineiros e
brasileiros do século XIX. Como Cataguases é uma cidade do Sudeste do
Brasil, podemos limitar nosso campo de análise a esta região. De
imediato a nova mentalidade converte-se em resistência à cultura
sedimentada através das ideologias da colonização, da qual o Barroco e o
Rococó são marcas incisivas de difícil remoção. A cultura barroca estava
associada aos interesses dos colonizadores e reinóis porque assimilou e
difundiu as diretrizes do Concílio de Trento (1545/1563), no sentido da
colonização da América; no combate ao protestantismo e outras
manifestações religiosas. A cultura barroca valorizava o enriquecimento
dos colonizadores católicos. De um lado, continuava a existir a visão de
mundo do Renascimento, otimista e de exaltação da vida; de outro, o
extremo oposto desta visão também encontrava muitos adeptos, que preferiam
abraçar uma vida de reclusão religiosa do mundo. Duas frases em latim, de
sentidos opostos ilustram a ambigüidade do comportamento barroco: carpe
diem, que significa aproveita o dia de hoje; a outra é memento mori, que
significa lembre-te, homem, que morrerás um dia. Na verdade, para os
colonos subalternos só era lícita a Segunda frase. A arte barroca
contempla o luxo e a riqueza como forma de intimidação. A poesia e a prosa
barrocas exaltavam as "virtudes" e feitos heróicos das figuras reais, dos
reinóis colonizadores, das autoridades civis, militares e religiosas, a
exemplo: "O Caramuru", de Frei José de Santa Rita Durão
(1722/1784), exalta o colonizador português na figura de Diogo Alvares. "O
Triunfo Eucarístico", de Simão Ferreira Machado (1733), exalta a nação
portuguesa como privilegiada por Deus para dominar outros povos e as
riquezas minerais como gratificação pelo "bem" que praticavam. "O Áureo
Trono Episcopal, editado pelo padre Francisco Ribeiro da Silva, em 1749,
coletânea de peças literárias narrando a recepção festiva ao primeiro
bispo de Mariana, Dom Frei Manoel da Cruz, tratado com a dignidade de um
papa ou de um rei. "O Uraguai", de José Basílio da Gama (1741/1795),
apesar da dificuldade em narrar os acontecimentos da expulsão dos jesuítas
da América e da beleza formal de seus poemas, teve que bajular o Marquês
de Pombal e o general Gomes Freire de Andrade, na exaltação de suas
figuras. Tomaz Antonio Gonzaga (1744/1810), embora tenha superado as
questões estéticas do Barroco, continua engajado na política de
colonização da terrível conservadora e déspota rainha Maria I. "O Tratado
do Direito Natural apoia o iluminista despotista Hobbes e contrapõe-se ao
iluminista liberal Locke. Diz Gonzaga: "A minha opinião é que o rei não
pode ser de forma alguma subordinado ao povo; e por isso ainda que o rei
governe e cometa algum delito, nem por isso o povo se pode armar de
castigos contra ele. (CARDOSO, W. 1956) Para John Locke (1632/1704) o fim
do estado é de proteger os direitos naturais de cada um. Quando o estado
não reconhece ou nega aos cidadãos os seus direitos, desempenha mal a sua
função. Nesse caso, os cidadãos têm o direito de oferecer-lhe resistência
e inclusive de rebelar-se. (SCIACCA, M F, 1966) A história da
ocupação e exploração do território mineiro após a oficialização da
descoberta do ouro (1696) é muito semelhante à conquista do México por
Hernán Cortés de 1519 a 1520. Interessava aos espanhóis o ouro e a
obediência do Asteca. Segue depois a destruição das culturas Maia e Inca.
Em Minas os indígenas foram afastados do processo civilizatório de forma
violenta. A agricultura para abastecimento não contou com o trabalho
indígena e a mineração, muito menos Segundo denúncia dos documentos
denominados Cartas Chilenas, os indígenas eram abatidos como caça e
oferecidos aos cães como alimento. Os negros eram tratados como animais de
carga e como objeto do desejo sexual na sobra da máxima "carpe diem" que
liberava o famoso Cavaleiro da Ordem de Cristo, João Fernandes de
Oliveira, para viver na contramão da lei com sua amásia Chica da Silva. Os
demais seguimentos da população da Capitania sofriam perseguições de toda
ordem: confisco de bens, cobrança excessiva de tributos, derramas, pena de
morte e degredo. As ideologias barrocas que alimentaram a
exploração colonial inundaram a cultura da Nação brasileira em
preconceitos e vícios de conduta, objeto de resistência e negação por seus
sucessores do século XIX. A presença da Família Real no Rio de Janeiro e
depois a Independência do Brasil abriram caminho de ida e de volta para a
Europa o que oportunizou armazenar munição contra a mentalidade
colonialista. Duas correntes formaram a mentalidade
anticolonialista: O Romantismo como fonte de idéias estéticas e
filosóficas e o Liberalismo, fonte de idéias políticas e econômicas. Mais
tarde, a fusão das duas correntes forma o Ecletismo. O
Liberalismo é filho do Iluminismo e como tal se opõe à cultura barroca.
Preconiza a liberdade política ou de consciência, em oposição à autoridade
do Estado e da Igreja. O meio de salvaguardar a liberdade e os direitos da
iniciativa particular é restringir o mais possível as atribuições do
Estado. No campo estético a tendência liberal é a de considerar as obras
de arte como mercadora; valorizar os aspectos os aspectos decorativos e
perpetuação das imagens dos figurões da sociedade burguesa. Nesse caso há
uma tendência á padronização do gosto artístico como condição
mercadológica. França e Inglaterra dominam a produção de materiais
arquitetônicos que exportam aos países periféricos. Com base na arte
clássica a indústria européia exporta pseudo obras de arte produzidas em
série. O Romantismo surgiu por oposição ao racionalismo
iluminista e se opõe ao Liberalismo em face de seu caráter destruidor do
ponto de vista humano, social e cultural. Faz séria oposição ao Barroco
por seu comprometimento com o colonialismo e imperialismo. Valorizou as
culturas nacionais e regionais (nacionalismo e patriotismo). Ainda hoje
vozes românticas levantam-se contra a ameaça que faz pesar sobre a própria
sobrevivência da espécie, como perigo de catástrofes ecológicas. É neste
aspecto que o Romantismo revelou toda a sua força crítica e sua lucidez
diante da cegueira das ideologias do progresso. Os críticos românticos
viram o que estava fora do campo da visão liberal individualista do mundo:
quantificação, perda dos valores qualitativos, humanos e culturais;
solidão dos indivíduos; desenraizamento, alienação pela mercadoria,
dinâmica incontrolável do maquinismo e da tecnologia, degradação da
natureza. Na estética, ao contrário da concepção liberal, o Romantismo
valoriza a força criadora do indivíduo, como sua contribuição aos valores
humanísticos, desvinculada da condição mercadológica. Artistas como
Delacroix, Corot, Courbet e Daumier são os fundadores do Modernismo. Se no
século XX, os movimentos artísticos deixam de ser designados pelo nome de
Romantismo, não é menos verdade que correntes tão importantes como o
expressionismo e o surrealismo, assim como grandes autores trazem muito
profundamente a marca da visão romântica. Essa visão de mundo pode ter
perdido o rótulo, mas não perdeu o sentido. (LÖWY, M, 1995) O
Ecletismo reúne diversas teses opostas em uma só temática, prescindindo do
que elas têm de incompatíveis. Cria-se a partir do Liberalismo e do
Romantismo o hábito de escolher o que se julga melhor. Na estética o
ecletismo serve tanto ao mercado quanto à criação artística incrementando
o que modicamente se chamam de "art nouveau" e o próprio
ecletismo. No Brasil, duas instituições se inscrevem como berço
das idéias liberais e românticas. O Caraça e a Escola de Direito de São
Paulo. O movimento liberal de 1842, teve em suas fileiras grande
quantidade de ex-alunos do Caraça. A participação de professores do Caraça
no referido episódio foi tão grande que o governo monárquico resolveu
fechá-lo, transferindo as atividades escolares para Congonhas. No Caraça
estudou o serrano João Antonio dos Santos, primeiro bispo de Diamantina,
líder abolicionista e reformador da Igreja em Minas. Dom João é o filósofo
responsável pela introdução e difusão das idéias ecléticas de Vitor Cousin
em Minas. Na Faculdade de Direito de São Paulo estudaram escritores
românticos como Joaquim Felício dos Santos (irmão do bispo), Bernardo
Guimarães e Afonso Arinos. A escola ensinava que a arma do causídico é a
contestação dos males da época acumulados desde a época colonial. Os
escritores indianistas como Joaquim Felício dos Santos e Bernardo
Guimarães são denunciadores do escárnio e expurgo dos indígenas da vida
social na época colonial. A historiografia de Joaquim Felício dos Santos
denuncia tortura aos negros e aos homens desvalidos da colônia; o
despotismo e a corrupção dos contratadores de diamante. Afonso Arinos
reclama a devastação da natureza e valoriza a vida do sertanejo,
antecipando em cem anos a Guimarães Rosa. No juízo dos colonizadores do
século XVIII esses escritores seriam considerados vagabundos, subversivos
e possivelmente condenados à forca ou a degredo. Os românticos tiveram a
coragem de desafiar seus contemporâneos conservadores. Tiveram coragem de
desfrutar de tempo ocioso para viver, para escrever, pintar, cantar,
viajar e conversar. O resultado desse tempo de ócio redunda em arte pela
arte e não em objetos para o mercado. No campo da arquitetura é o Caraça a
primeira fonte de resistência ao colonialismo barroco. A igreja N.S. Mãe
dos Homens é em estilo neogótico, com torres elevadas, transeptos
alongados, vergas ogivais e vitrais em substituição a forros pintados.
Logo depois Dom João Antonio dos Santos, ex-caracense, leva para
Diamantina o mesmos estilo na igreja do Sagrado Coração de Jesus, ligada
ao Seminário. Na pintura, a vida dos santos católicos com paisagens
européias cede lugar às margens plácidas dos riachos como fez Honório
Esteves, além de pintar retratos de benfeitores como Marlière. O
neoclassicismo vindo no bojo do Liberalismo tinha a nítida intenção de
remover o passado colonial barroco. A estética vinha como signo de
modernidade. O Grande líder liberal Teófilo Otoni, nascido na cidade do
Serro não se conforma com o conservantismo reinante no Brasil. Suas idéias
republicanas e iluministas muito contribuíram para atração do gosto
neoclássico. Sedes de fazendas, casas urbanas e igrejas da segunda metade
do século XIX trazem a marca do neoclassicismo, como a fazenda Boa
Esperança em Belo Vale e a Igreja de São Sebastião em Juiz de Fora.
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Então... |
 Guido Marliére
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Cataguases nasce sob o signo de uma nova época. Seu
fundador Guido Tomaz Marlière encontrava-se no local denominado Porto dos
Diamantes, em 1828, como inspetor dos serviços da Estrada de Minas
(Presídio, hoje Rio Branco) aos Campos dos Goitacazes, na Província do Rio
de Janeiro. A estrada atenderia a uma nova política de ocupação da Região
da Zona da Mata. No Porto dos Diamantes recebeu em doação um terreno,
planície sedimentar na margem esquerda do Rio Pomba, para ali erigir uma
capela e fundar uma povoação, que toma no nome de Meia Pataca. Anteviu ali
uma cidade traçada em xadrez, com amplas praças; confortável e
saudável. O importante é a visão de mundo e o humanismo de
Marlière, em choque com as ideologias residuais da época colonial. Muito
perseguido pela desconfiança de traição aos portugueses e pela xenofobia
ouro-pretana, Marlière foi preso e pouco depois posto em liberdade por
ordem do príncipe regente. Enviou uma carta ao desembargador-ouvidor
solicitando sua designação para um lugar afastado da civilização onde
pudesse trabalhar entre os índios. O pedido de Marlière foi atendido e em
1813 chegou à região compreendida hoje pelo município de Rio Pomba. Ali
deu início a um dos mais extraordinários trabalhos sobre índio no Brasil.
Sua primeira missão foi a de fazer um levantamento sobre usurpação de
terras, abusos correlatos e ao mesmo tempo promover a restituição das
terras ocupadas pelos brancos. Pelo sucesso da missão Marlière obteve a
nomeação para o cargo de Diretor Geral dos Índios daquela região. Propõe a
substituição de administradores inadequados ao trato com o indígena;
criação de escola primária; abrigo hospitalar, além de verificar além de
verificar a possibilidade de ocorrência de ouro na região. A educação
ligava-se ao princípio da aproximação do indígena com o branco. A defesa
do indígena contra a ação deveria ser feita na medida em que o gentio
estivesse ocupado em uma atividade qualquer. Lutou contra toda uma
multidão de ambiciosos assaltantes de terras e culturas indígenas, contra
roubo das mulheres e filhos dos mesmos; contra covardes assassinatos de
silvícolas; muitos dos quais, quando bêbados e estirados no chão, eram
destripados pelas patas dos cavalos dos viandantes. (MOURA, A P, 1983). Um
ano depois de fundar Cataguases, Marlière foi reformado no posto de
coronal, sentindo-se frustrado por não poder terminar a sua obra. Mas a
memória, as utopias e o Humanismo dele não foram apagados. Sua modernidade
residia na resistência ao imperialismo e ao velho colonialismo.
(1) A criação do povoado já havia sido autorizada pelo governador
da Capitania, Diogo Lopes da Silva, em 1767, que deveria ser ocupado por
mineradores egressos da região do ouro. Um século depois a política de
migrações para a região muda. Não mais a busca do ouro, mas a lavoura de
cafeeira. Assim começam a chegar os novos migrantes:
 Major Joaquim Vieira da
Silva Pinto
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 Fazenda da
Glória
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 Fazenda da
Glória
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 Fazenda da
Glória
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Major Joaquim Vieira da Silva Pinto, nascido em
1804, em Queluz (Conselheiro Lafaiete), Seu pai era de Pouso Alto e sua
mãe de Queluz. Chegou em Cataguases, em 1842, possivelmente, querendo
estar distante do Movimento Liberal do mesmo ano. (SILVA, A V R. 1934) O
onde é hoje o distrito de Sereno, fundou a Fazenda da Glória. Tem este
nome por causa de uma imagem de N. S. da Glória, em mármore policromado,
possivelmente esculpida na Itália, de tendência rococó. A Fazenda da
Glória significa uma ruptura com relação à fazenda colonial, em face de
seu original partido, de caráter urbano. Fachada com janelas de bandeiras
duplas. O emprego de platibanda e frontão triangular arrematado por uma
rocalha. Os ornatos da fachada são em estuque. Escadaria e guarda-corpo da
varanda em metal, estilo art mouveau. O andar térreo é destinado a
escritórios e reuniões de negócios. No segundo pavimento, salas de estar e
de banquetes, decoradas com pinturas nos rodapés e altos das paredes. De
frente para a fazenda, uma usina de beneficiar café e os armazéns de
estoques.
 Coronel José Vieira de
Resende e Silva |
 Fazenda do
Rochedo
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 Chácara Dona
Catarina |
 Fazenda do Rochedo
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Coronel José Vieira de Resende e Silva,
(1829/1881) nascido em Lagoa Dourada, município de Queluz Filho do major
Joaquim Vieira da Silva Pinto, com quem se transferiu para Cataguases, em
1842. Em 1856 estudou humanidades no colégio de Congonhas do Campo,
pertencente ao Caraça na época. Casou-se com Feliciana, filha do coronel
José Dutra Nicácio. Fundou e construiu a Fazenda do Rochedo. Nesta
edificação o coronel Vieira revelou toda a sua cultura e todo o seu
espírito de homem moderno. Tinha a convicção de que estava construindo um
palácio não só para a residência da família, mas para receber e hospedar
todo a elite política, empresarial e social. Compreende dois longos e
amplos pavimentos. Somente o primeiro pavimento dá a idéia de uma fazenda
ou de uma casa rural. Portada de pedra lavrada, com verga em curva.
Pórtico lateral eclético, com pilares cúbicos, decorados com volutas
barrocas, portão de ferro em art nouveau. No segundo pavimento, seis
janelas de vergas retas, de duas bandeiras, com vidraças de guilhotina e
com caixilhos de vidro importado. Beiral coberto com madeira pintada, no
lugar dos encachorrados coloniais. A água da chuva é recolhida por calhas
de folha de flandres importada. No interior, amplos salões de estar e de
banquete decorado com motivos pictóricos e mobiliário art nouveau
importados da Bélgica. É atribuída ao Coronel Vieira a iniciativa de
elevação do Curato de Meia Pataca à condição de município. O romântico
nome de Cataguases foi dado por ele, em homenagem a um riacho do mesmo
nome, próximo da casa onde nascera em Lagoa Dourada.
 Chácara Dona
Catarina |
 Teatro Recreio |
 Hotel Villlas
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 Teatro Recreio |
 Teatro Recreio |
 Prefeitura Municipal de
Cataguases |
João Duarte Ferreira. (1850/1924). Nascido em
Portugal. Transferiu-se para Cataguases em 1873, pouco antes de sua
emancipação. Grande empresário de caráter mais liberal que romântico,
ligado à exportação de café e ao comércio local. Com sua enorme fortuna
tomou a iniciativa de diversas edificações neoclássicas na cidade. Em 1895
construiu o Teatro Recreio, de tendência maneirista italiana, demolido em
1947. De 1895 a 1900, construiu o prédio da Prefeitura Municipal, de
caráter neoclássico. (MAGALHÃES, W, 1999) Talvez o exemplo mais expressivo
do ecletismo arquitetônico de Cataguases esteja na Chácara Dona Catarina,
antiga residência do empresário João Duarte Emprega os lambrequins de
madeira nos beirais que circunda a edificação; janelas com vergas em arcos
plenos e ogivais; planta baixa que lembra a movimentação maneirista.
 Fazenda do Rochedo
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 Fazenda do Rochedo
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 Primeiro número da
Revista Verde |
Affonso Enrique Vieira de Resende (1863/1934),
filho do coronel Vieira. Nasceu na fazenda da Glória. Fez curso de
humanidades no colégio do Caraça e curso de Direito na Faculdade de São
Paulo, em 1886. O pai havia deixado dívidas com a construção da Fazenda do
Rochedo. Moveu demanda gigantesca para impedir que essa passasse para mão
de pessoas estranhas à família. Tendo sido vencedor, demitiu do cargo de
Juiz Municipal e dedicou-se à agricultura. No mesmo momento que em São
Paulo, com a Semana de 1922; Belo Horizonte com "A Revista" (1925/1926);
Cataguases com "O Verde" (1927/1928); intelectuais e artistas se
manifestavam realçando os valores da cultura nacional; faziam tremular a
bandeira do sentimento de uma Pátria livre das injunções neocoloniais, na
Fazenda do Rochedo, Affonso Henrique pronunciava um memorável discurso,
por ocasião da visita que lhe fez o Presidente do Estado, Antonio Carlos
Ribeiro de Andrade, em 1928. Valoriza os feitos heróicos dos antepassados
mas adverte que se no presente nada se fizer, o futuro será morto.
(2)
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 Matriz de Santa Rita
(antiga)
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Para mostrar a inquietação renovadora de
Cataguases basta lembrar que a atual Matriz de Santa Rita é a terceira
edificação no mesmo local. A antiga capela colonial foi substituída por
outra de estilo Neogótico. Em 1894 nova reforma com projeto do arquiteto
Augusto Rousseau. Partido em cruz grega, com enormes transeptos, abrindo
no templo três fachadas verticais. Quatorze anos depois nova reforma,
concluída em 1909. Três décadas decorridas da última reforma e a bela
igreja estava sendo demolida para dar lugar a outra de caráter
moderno. Concluindo, os movimentos históricos das primeiras
décadas do século XX foram muito radicais e acumularam tensões do antes e
do pós primeira guerra mundial. O Futurismo (1909), o Expressionismo
(1914), O Dadaismo (1916) e o Surrealismo (1924) foram manifestações
artísticas de contestação de um mundo em crise. Tiveram em comum o
questionamento da herança cultural recebida. Todos estavam de acordo com o
fato de que se revelavam falidos os moldes acadêmicos e conservadores de
uma arte envelhecida. Então, todos esses movimentos do século XX
intensificam um processo que já estava em curso desde o século XIX com o
Romantismo e com o Simbolismo. Os sucessivos manifestos que ocorrem de
Norte a Sul do País, de 1920 a 1930 são expressões de um nacionalismo
sufocado pelo tempo. Faziam cem anos da Independência do Brasil. Mas que
independência era aquela em que a Nação brasileira só valorizava os
produtos culturais e tudo que fosse europeu ? O que era então a
poesia pau-brasil senão a necessidade de exportar a produção literária
brasileira e estabelecer uma conotação entre a poesia e a escola, na
concepção de Oswald de Andrade. O movimento antropofágico (1928/1929), em
linguagem simbólica e metafórica remonta ao hábito que certas tribos
indígenas tinham de comer a carne dos inimigos mais fortes, para deles
adquirir a força. Desta forma, desde os memoráveis tempos coloniais os
brasileiros vinham devorando a cultura européia, comendo a carne de seus
irmãos mais fortes do velho continente. O movimento é um convite a
valorizar e consumir a cultura sedimentada no Brasil, de Norte a Sul, a
busca da brasilidade perdida, da mesma forma que se deveria aproveitar
algo de positivo da cultura estrangeira. É, portanto, nesse clima
que se inscreve a tendência modernista de Cataguases, tão bem tratada por
Selma Melo Miranda, Anaildo Bernardo Baraçal, Cristina Ávila, Patrícia
Moran e Paulo Augusto Gomes. Antonio de Paiva Moura é professor
de História da Arte na Escola Guignard - UEMG e de
História de Minas no UNI-BH.
BIBLIOGRAFIA
CARDOSO, Wilton. As letras mineiras no século XVIII.
Primeiro Seminário de Estudos Mineiros. Belo Horizonte: UMG,
1956. JOSÉ, Oiliam. Marlière, o civilizador, Belo Horizonte:
Itatiaia, 1958. LÖWY, Michel. Revolta e melancolia: o
romantismo na contramão da modernidade. Petrópolis: Vozes,
1995. MAGALHÃES, Washington. Um pouco da nossa história. In:
Figurinhas de Cataguases. Cataguases: Aora, 1999. MOURA,
Antonio de Paiva. História da Violência em Minas. Belo Horizonte, Autor,
1983. SCIACCA, Michele Federico. História da Filosofia. São
Paulo: Mestre Jou, 1966. SILVA, Arthur Vieira de Resende e.
Genealogia dos fundadores de Cataguases. Rio de Janeiro: Coelho Branco,
1934. NOTAS
(1) - A um fazendeiros de Minas Novas que
pediu alguns praças para combater indígenas, Marlière respondeu: "se fosse
inimigo de Vmce., mandar-lhe-ia essas guardas aguerridas que pede para
matar os índios: porque para cada um que morre, vem um século de vingança
sobre sua casa. Os olhos que a providência deu, vêm as vessas dos de
Vmce.; siga outro rumo com os índios dando-lhes pão, alguma instrução e um
ósculo paternal: e com isto, sem merecimentos, vejo os meus trabalhos
abençoados pelo Deus dos índios e seu. (...) faça-lhe bem, e mal algum e
verá como eles se chegam (...)". (JOSÉ, O, 1958). (2) "Sua
palavras e das pessoas que o acompanham, felicitavam-se pela oportunidade
de render homenagem de respeito, admiração e saudade à memória de
veneráveis mineiros que por ali passaram, educando gerações sucessivas,
pelo exemplo da constância no amor à nossa terra e a nobres cometimentos
propiciadores de sua grandeza crescente, através de grandes triunfos. Sem
honrar o passado os que nele foram úteis à coletividade, ninguém aprenderá
a bem servir a Pátria. Sem continuidade de esforços e de espírito entre o
passado e o presente; incertos serão os dias do porvir e os próprios
fundamentos da Pátria se enfraquecem pela falta de unidade cívica
necessária à boa formação de espírito de nacionalidade" . (SILVA, A V R,
1934).
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